Repetições. Aquele sonho surrealista de toda noite com uma inflamação de elementos que justapostos ou apartados nunca fazem sentido algum. A única lembrança é do último componente deste acalento-descanso. Como ter paz de espírito se o sonambulismo é uma roda-noturna companheira incansável?
O gongo toca. "Soneca" ativada. Ganho quinze minutos.
Ah, mas que vontade de continuar ali e tentar voltar ao sonho... Se é sonho são coisas boas, certo? Sonho bom, mesmo, é o da padaria da esquina da casa do vovô e da vovó...
Levanta, abre a janela, sente aquele calafrio que arrepia até o dedinho do pé.
Volta pra cama. Puxa e repuxa o edredom até cobrir-se toda. Prende a respiração até que a tremidão estanque. Pronto.
Mas tem aula, ela tem que ir....
Toma o fôlego e inicia o ritual. Rumo à pia batismal, o choque da gênese diária é dado com a catraca da gélida água na face.
Nada doce, mestre João Bosco... bagatela essas olheiras!
Calça, blusa, casaco, tênis, brinco, anel, mochila, porta fechando...Meia volta, outro casaco, outra porta batida.
Pé na rua. Contra-mão. Asfalto. Bruma... marcha cadenciada com o embaçar dos óculos.
Ela sabe que irá se embebedar da garoa, logo abotoa o casaco. Mãos nos bolsos. Que frio é esse?????
Chega ao destino. Sensação de que ali não estaria tão cedo...
Calmamente, sobe as escadas, toma um gole d'água e dirige-se à sala.
Pé na porta e soco na cara. Apalpa a cercadura e crava as unhas recém feitas.
Paralisada, corre os olhos para aquele cubo branco. Ventanas e bruma.
Só. Apenas...somente... ela.
Palpitante, retorna à sua casa na companhia da agonia. Enxuga-se.
Pragueja todo o desencontro e a desventura de ter saído daquela cama tão..tão..enclausurante e prazerosa.
Já no conforto do moletom velho vê que o sono, bandoleiro, fez favor de lhe deixar..
na companhia do frio, café, e de alguns livros.
Meu Deus... Que gracinha, lindo amor adorei. Quero mais!
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